Estrada Cuiabá a Goiás em 1736 - Estrada Cuiabá a Goiás em 1736 PDF Imprimir E-mail
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Estrada Cuiabá a Goiás em 1736
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Jorge Belfort diz que o caminho terrestre passava

“... a ser uma passagem de numerosas riquezas mercantis como a prata, que vinha do lado espanhol e rumava, como contrabando, para o litoral nordestino, onde, tranqüilamente, navios ancoravam trazendo negros e levando a prata (...)”24

Lenharo também registra essa mesma informação, mas acrescenta que, mesmo com a circulação crescente de pessoas e mercadorias, havia grandes dificuldades a serem ainda vencidas, como por exemplo o problema Caiapó, que não foi solucionado muito facilmente. O Governador e Capitão-General Luiz de Albuquerque Melo Pereira e Cáceres25 deixou registrado que o que mais lhe causou espanto foi a desolação populacional no caminho de Vila Boa a Vila Real.  A rigor, só cita duas fazendas, sendo que uma delas realmente o impressionou.  Para D. Luiz, era de sumo risco o caminho por aquele sertão e, por isso mesmo,  fazia-se  necessário socorro  de  gado  e  mantimentos  no  trânsito de pessoas.   Somente após a vinda de Luiz de Albuquerque para a Capitania é que realmente ganhou destaque a ligação terrestre da Vila Real com a Vila Boa dos Goiases, com um comércio emergente, ligado, principalmente, ao Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo.26

Segundo o mesmo autor, a vinda de Luiz de Albuquerque Melo Pereira e Cáceres constituiu um marco para a futura projeção do caminho de terra na organização do comércio na Capitania.  Essa sua vinda pelo caminho terrestre retrata bem as mudanças que estavam acontecendo na Colônia, cuja capital fora transferida de Salvador, Bahia, para o Rio de Janeiro, em função, principalmente, do complexo econômico criado pela mineração do centro-sul e das disputas pelo estuário do Prata Lenharo ainda destaca que o evento precede em alguns anos a importância que a articulação terrestre assumiria logo depois, através da ativação do comércio regional com as praças centralizadoras.27

Passados 50 anos após a viagem de Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, Luiz D’Alincourt encontrou o trajeto sensivelmente mudado.  Os pousos funcionavam satisfatoriamente, mesmo distando entre si algo em torno de 4 a 5 léguas, ou seja, 24 ou 30 km.  O autor cita que, além de uma fazenda localizada na beira do Araguaia, vivia à margem do caminho uma comunidade de índios domesticados e um morador no Alecrim, que plantava milho, legumes e tinha criação de porcos.  A fazenda Jatobá, do Padre Albuquerque, grande propriedade com mais de 100 escravos com engenho em funcionamento.28

Faz menção também, no transcorrer do caminho, a uma aldeia localizada antes da Vila do Cuiabá, por nome de Santana, ou “lugar de Guimarães”, onde encontrou muitos engenhos e fazendas:  “Donde concorre maior cópia de víveres para abastecer a Vila do Cuiabá”.29

Diz D’Alincourt que a agricultura do lugar, tocada basicamente por população indígena, era bastante diversificada, constando de milho, feijão, mandioca, cana-de-açúcar, algum café e algodão.

A queda quase que total do tráfego monçoeiro se deu em um período um pouco anterior a 1818, pois, como nos fala Sérgio Buarque de Holanda30 , em 1818 o capitão-mor de Porto Feliz chegou a queixar-se de que já não havia ali práticos e proeiros para mais de 6 ou 8 canoas.  Dos que serviam agora no caminho de Cuiabá ao Pará, muitos não pensavam em voltar e nenhuma autoridade poderia obrigá-los a tanto, pois o desenvolvimento das comunicações fluviais com o Pará, através do Guaporé, Madeira e do Tapajós, trazia muito mais retorno para essas pessoas.  É a partir daí que o caminho terrestre ganha uma real importância para Mato Grosso, pois era por ele que agora se dava todo o transporte comercial e a comunicação com os outros centros.

Assim, fica modestamente comprovada a importância que o caminho terrestre para Goiás tinha para a Colônia, como também para  a  Vila Real e para todo o Mato Grosso, no século XVIII até a primeira metade do século XIX.   Posteriormente procuraremos demonstrar que a decadência do caminho monçoeiro foi de maior importância para Mato Grosso.

Dentro de toda essa problematização, o que nos salta à vista, é que toda essa região já estava inserida em um contexto econômico muito mais amplo do Brasil Colônia.
Dentro desse projeto de pesquisa para conclusão de curso, procuraremos, futuramente, traçar um panorama econômico do caminho terrestre de uma forma mais profunda e sistemática, levando em consideração um recorte temporal maior que este aqui apresentado.

HIPÓTESES...